
(Texto extraído de um trabalho para a disciplina "Estudo em Ciências da Religião da CESUMAR")
Contra o Ocidente pesa a acusação de nunca ter sido sinceramente religioso, “mas profundamente greco-romano, discursivo e expansionista”1. Essa assertiva encontra fundamento na recusa da metafísica ocorrida entre os séculos XII e XVI. Para o sociólogo Max Weber, na Europa houve um processo de desencantamento das concepções religiosas do mundo e uma reinterpretação da fé a luz de novas esferas de valores que constitui aquilo que se denominou o espírito do mundo capitalista.
Contra o Ocidente pesa a acusação de nunca ter sido sinceramente religioso, “mas profundamente greco-romano, discursivo e expansionista”1. Essa assertiva encontra fundamento na recusa da metafísica ocorrida entre os séculos XII e XVI. Para o sociólogo Max Weber, na Europa houve um processo de desencantamento das concepções religiosas do mundo e uma reinterpretação da fé a luz de novas esferas de valores que constitui aquilo que se denominou o espírito do mundo capitalista.
O ascetismo cristão, que de início fugia do mundo para a solidão, já o tinha dominado a partir do mosteiro e pela igreja. Com isso, todavia, não alterava o caráter natural, espon-tâneo da vida cotidiana no século. Agora ele adentrou no mercado da vida, [...] tentou penetrar exatamente naquela rotina diária com sua meticulosidade, e amoldá-la a uma vida racional, mas não deste mundo, nem para ele.2
Como ensina Reis, o conceito de modernidade, assim como o próprio processo que ele designa revelam uma tensão: “no início representara uma ruptura com o passado de universalismo cristão e abrira um presente secularizado”3. A experiência do sagrado cristão na modernidade revela uma tensão entre valores tidos como contraditórios, o espírito da fé e o espírito do século. Deus não seria totalmente abandonado, mas não mais reinaria sozinho.
Na pós-modernidade essa tensão se desfaz porque se abre para a pluralidade e o ecletismo predomina, o sentido do sagrado se decompõe e se esfacela. A pós-modernidade tem relação com o novo momento do capitalismo multinacional e de consumo e a experiência do sagrado cristão na pós-modernidade revela-se plural e con-sumista.
As marcas mais distintivas da experiência do sagrado cristão na temporalidade pós-moderna são vistas nos movimentos neopentecostais. Nessa esfera da cristandade não existe a tensão presente da modernidade assinalada por Max Weber. Os cristãos dessa vertente se entregam sem culpa aos desejos consumistas e usam a própria fé como aliada na empreitada de conquistar o mundo material. Há uma ressignificação do ideal do crente fiel. Não é mais a ascese mística medieval e nem tampouco da vocação puritana no mundo secular que determina o cristão. O cristão fiel é aquele que mergulha nas conquistas pessoais de prosperidade e sucesso mundano.
Essa experiência do sagrado neopentecostal não é pretensa a exclusividade. Ela admite coexistir com outras experiências, pois, sendo pós-moderna é plural. Ele é mais uma alternativa que se entende adaptada ao novo mundo e suas exigências seculares. A relação entre sagrado e profano se concilia nos objetivos profanos alcançados a partir da experiência do sagrado. Essa espiritualidade é pragmática e utilitarista. A pregação que impunha exigências cede lugar para o discurso positivista e triunfalista.
A experiência do sagrado cristão pós-moderno é mais do que um desenvolvimento do processo da modernidade. É readaptação profunda dos fundamentos e objetivos da fé cristã dos primeiros séculos da era cristã.
Na pós-modernidade essa tensão se desfaz porque se abre para a pluralidade e o ecletismo predomina, o sentido do sagrado se decompõe e se esfacela. A pós-modernidade tem relação com o novo momento do capitalismo multinacional e de consumo e a experiência do sagrado cristão na pós-modernidade revela-se plural e con-sumista.
As marcas mais distintivas da experiência do sagrado cristão na temporalidade pós-moderna são vistas nos movimentos neopentecostais. Nessa esfera da cristandade não existe a tensão presente da modernidade assinalada por Max Weber. Os cristãos dessa vertente se entregam sem culpa aos desejos consumistas e usam a própria fé como aliada na empreitada de conquistar o mundo material. Há uma ressignificação do ideal do crente fiel. Não é mais a ascese mística medieval e nem tampouco da vocação puritana no mundo secular que determina o cristão. O cristão fiel é aquele que mergulha nas conquistas pessoais de prosperidade e sucesso mundano.
Essa experiência do sagrado neopentecostal não é pretensa a exclusividade. Ela admite coexistir com outras experiências, pois, sendo pós-moderna é plural. Ele é mais uma alternativa que se entende adaptada ao novo mundo e suas exigências seculares. A relação entre sagrado e profano se concilia nos objetivos profanos alcançados a partir da experiência do sagrado. Essa espiritualidade é pragmática e utilitarista. A pregação que impunha exigências cede lugar para o discurso positivista e triunfalista.
A experiência do sagrado cristão pós-moderno é mais do que um desenvolvimento do processo da modernidade. É readaptação profunda dos fundamentos e objetivos da fé cristã dos primeiros séculos da era cristã.
Claudionor Bezerra
1 REIS, José Carlos. A modernidade. In. História & Teoria: Historicismo, Modernidade, temporalidade e ver-dade. RJ: FGV, 2003. p.27.
2 WEBER, MAX. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. SP: Martin Claret, 2004. p.116.
3 REIS, José Carlos. A modernidade. p.28.




